Resenha – Heróis Renascem/Capitão América – Edição Nº3

A dupla Jeph Loeb e Rob Liefeld marcou época com Heróis Renascem e não atoa. Após a introdução da trama nas duas primeiras edições, Heróis Renascem nº3 nos joga de cabeça dentro da ação, trazendo a revelação para qual Steve Rogers (e nós!) não estava preparado.

Antes de tudo é necessário ressaltar a aula de política e história que o início da edição apresenta, em 1945 o Capitão América confronta o então presidente Truman sobre os ataques a Hiroshima e Nagasaki. Truman diz que o Capitão precisa apoiar a decisão tomada diante da opinião pública, Rogers um idealista se recusa e aí descobrimos o que aconteceu com ele. Em represália a rebeldia do Capitão seu castigo foi a perda de seu eu, seu self. 

Steve Rogers precisa lidar com o fato de que durante 50 anos teve diversas vidas falsas, produzidas pelo governo. No traço elaborado de Liefeld vemos a dor e o sofrimento do Capitão, seu rosto expressa a ira e a revolta de quem passou anos isolado de si mesmo. Mas infelizmente não há muito tempo para o assunto, é preciso enfrentar o mal, não é só o Capitão América que voltou, mas o Caveira Vermelha também. Ainda que com certa relutância, Rogers assume o escudo e o uniforme novamente, sua identidade pode ter sido perdida ao longo dos anos, mas o Capitão América é quem ele é. E deve o resgaste de sua identidade a Abe Wilson, e satisfações ao seu furioso filho pronto para culpá-lo pela morte do pai. Os dois se confrontam no cemitério, onde mais uma vez a arte liefeldiana impacta, a impotência de Steve diante da revolta de um recém-órfão. Sam Wilson consumido pela raiva e pela dor, de uma maneira que só nosso maioral conseguiria transpor. Fica claro aqui também o subtexto: Wilson representa a população descrente, quem é esse homem e porque ele é importante? É a desconfiança da sociedade diante do governo.

E quando esperamos que o desfecho da trama seja este, eis que surge Ossos Cruzados a mando do Caveira Vermelha, pronto para subjugar o Capitão América. O suspense se instaura quando nas páginas finais vemos um Capitão caído, o que será da América. Loeb e Liefeld representam um breve declínio para que em breve os Estados Unidos ressurja maior e mais imponente do que nunca, Sam Wilson, assim como a população americana perceberá que o Capitão é importante? É a metáfora de que os americanos precisam se unir em prol de um inimigo em comum, e deixar as outras questões de lado. Em poucas páginas, nossa dupla de autores confronta o leitor a pensar e reagir diante dos acontecimentos da época, impressiona-me cada vez mais a riqueza do trabalho de Heróis Renascem, agora imaginem o que vem pela frente!

 

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